Ganhos:
- Capacidade de compreender a lógica da AAC (comunicação alternativa e suplementar) e usar inteligência artificial para produzir cartões de comunicação, conjuntos de símbolos e esboços de histórias sociais
- Capacidade de criar um texto de apoio visual que explique uma rotina diária ou situação social passo a passo em linguagem simples
- Capacidade de aceitar que o suporte à comunicação na produção de inteligência artificial requer aprovação do fonoaudiólogo/especialista e adaptação individual à criança.
Alguns alunos não usam a fala, alguns usam-na de forma muito limitada, alguns entendem-na, mas têm dificuldade em expressá-la. A comunicação é muito mais ampla do que a fala: uma criança pode apontar para um cartão e dizer “água”, tocar num quadro de símbolos e pedir “banheiro”, dizer “pare” com um gesto. Todas essas abordagens são chamadas de AAC (comunicação alternativa e de apoio – Comunicação Aumentativa e Alternativa). “Alternativa”, substituto de fala; “apoiador” refere-se a formas que fortalecem o discurso existente. AAC varia de cartões de símbolos a placas de comunicação, de programações diárias ilustradas a dispositivos de produção de fala.
Nesta unidade veremos como usar IA para produzir esboços de materiais de CSA: conjuntos de cartões de comunicação, listas de símbolos, imagens de rotina diária e histórias sociais. Uma história social é um texto curto que conta a uma criança, passo a passo, sobre uma situação social específica (por exemplo, esperar na fila, receber uma visita, dia de exame) em linguagem simples e positiva. Limite desde o início: o material de CAA deve ser adaptado individualmente à criança e aprovado pelo fonoaudiólogo/especialista; Um esboço geral não pode ser aplicado diretamente.
Etapas para preparar material AAC
- Determine o propósito da comunicação. Por que a criança se comunicará? Expressar um pedido, recusar, fazer uma escolha, expressar emoção, saudação social. O propósito determina quais símbolos você prioriza.
- Escolha o seu conjunto principal de palavras. Na CAA, são frequentemente utilizadas “palavras centrais”, palavras muito úteis: “Quero, acabou, mais, pare, ajude, sim, não”. Você começa com um conjunto pequeno, mas forte.
- Determine o tipo de símbolo/imagem. Fotografia, desenho de símbolo ou texto? É escolhido de acordo com o nível de reconhecimento da criança; Geralmente, passa-se do concreto para o abstrato.
- Fornece consistência. O mesmo conceito é representado em todos os lugares pelo mesmo símbolo e localização; A consistência acelera o aprendizado.
- Simplifique o texto da história social/rotina. Use frases curtas, positivas, descritivas e na primeira pessoa ("Espero minha vez. Esperar é difícil, mas posso fazê-lo.").
- Teste com o especialista e com a criança. O material é aprovado pela fonoaudióloga/especialista; É testado com a criança e adaptado de acordo com a reação.
Cuidado: Aplicar AAC não inibe a fala; Pelo contrário, muitas vezes apoia a fala. A preocupação de que “Se eu lhe der um cartão, ele não falará nada” é uma preocupação comum, mas errada. Porém, a escolha do método cabe ao especialista.
A tabela abaixo mostra os diferentes tipos de materiais AAC e o papel da IA:
materiais
Objetivo
Papel da IA
Aprovação de especialista
Conjunto de cartões de palavras principais
Solicitação/rejeição básica
Rascunho da lista de palavras
Terapeuta/especialista
júri
Escolhendo entre duas ou três opções
Sugestão de conteúdo e layout
especialista
Visual da rotina diária
Prevendo o curso do dia
Rascunho do texto da etapa
Professor + especialista
história social
Prepare uma situação
Esboço de texto simples
Especialista + família
cartões de emoção
Reconhecimento/expressão de emoções
Correspondência de exemplo de emoção
especialista
três mini cases
Caso 1 — Conjunto de palavras principais. Para um aluno de 6 anos com comunicação verbal muito limitada, a professora solicitou um conjunto de 12 cartões com palavras básicas para começar o dia. Ele anonimamente deu a finalidade (solicitação/rejeição/seleção) e o nível à IA e recebeu uma lista preliminar. A IA sugeriu “Quero, mais, feito, parar, ajudar, banheiro, água, brincar, sim, não, dói, eu”. Em vez de “dói”, a professora acrescentou “música” adequada ao interesse da criança e revisou o conjunto com a terapeuta. Resultado: a criança passou a utilizar funcionalmente três cartões em uma semana.
Caso 2 — História social. Um aluno estava muito preocupado com a visita de campo. A professora pediu à AI que elaborasse uma história social simples que descrevesse passo a passo o dia da viagem: "Amanhã pegaremos o ônibus. O ônibus pode estar um pouco barulhento. Posso colocar meus fones de ouvido. Meu professor estará comigo." AI produziu o rascunho; A professora adaptou-o de acordo com o programa real e as necessidades sensoriais da criança e acrescentou recursos visuais. A ansiedade da criança diminuiu significativamente no dia da viagem. A história preparou o evento com antecedência e de forma positiva.
Caso 3 — Erro na utilização direta do esquema geral. Uma professora usou a história social de “espera da vez” produzida pela IA literalmente em três crianças diferentes, sem adaptá-la de forma alguma. Para uma criança parecia muito abstrato, para uma criança não experimentou nenhum exemplo no texto, para outra as frases eram longas. O resultado foi que a história não funcionou. O jeito certo foi adaptar a história de acordo com o nível de linguagem, situação real e interesses de cada criança. Erro: implementar material de CSA sem individualizá-lo.
Caso 4 — Cartas de emoção. Para um aluno que não conseguia se expressar em momentos de raiva, a professora quis preparar um conjunto de cartas que mostrasse emoções básicas (feliz, triste, irritado, cansado, com medo). Ele recebeu um rascunho da IA que incluía uma definição simples para cada emoção, um exemplo concreto da experiência da criança e o padrão de frase “Estou sentindo isso agora”. A professora alterou os exemplos de acordo com a vida real da criança e simplificou-os com a terapeuta. Com o tempo, a criança aprendeu a mostrar sua carta de “raiva” em vez de explodir. O cartão de comunicação abriu uma saída segura para uma emoção não expressa; O rascunho veio da IA, a adaptação individual do especialista.
Alerta fraco / Alerta forte
Alerta fraco:
Escreva uma história social sobre esperar na fila.
Este prompt não inclui filho, nível e status. O resultado é um texto geral, abstrato e provavelmente não adequado para nenhuma criança.
Alerta poderoso:
Sua função: auxiliar do professor de educação especial. Aluno (anônimo): 7 anos, entende frases curtas, se comunica com palavras concretas, tem dificuldade de esperar durante a brincadeira e fica irritado. Tarefa: escrever um PROJETO DE HISTÓRIA SOCIAL sobre o tema "Espero minha vez". Regras: primeira pessoa do singular, frases curtas e positivas, máximo de 8 palavras; [IMAGEM: ...] sugestão ao lado de cada frase; O final é tranquilizador (“Eu consigo”). Usando conceitos abstratos. Suponha que este seja um rascunho e será adaptado pelo especialista e pela família.
Neste prompt, o perfil, o assunto, a restrição da frase, a nota visual e o tom são claros. A saída é um esboço próximo à criança; adaptação individual e aprovação de especialistas ainda são necessárias.
Modelo adicional: júri e rotina
Sugerir o conteúdo de um QUADRO DE ESCOLHA:- 3 opções (adequadas ao interesse da criança, concretas)- Símbolo/nota fotográfica para cada opção- Padrão de frase "Eu quero + [escolha]"- 2 linhas de instruções sobre como apresentar o quadroObservação: Símbolos e layout serão finalizados com aprovação de especialista.
Extraia o texto da etapa para um visual de ROTINA DIÁRIA: Rotina matinal: (máx. 6 etapas, 3-4 palavras cada etapa, [VISUAL] anotado) Use expressões "concluído/agora/mais tarde" que facilitam as transições.
Dica: Na CAA, a “modelagem” é uma das formas mais poderosas de ensino: o adulto primeiro fala a comunicação que espera da criança, demonstrando-a com cartões (toca nos cartões ao dizer “Eu quero – água”). Você pode pedir à IA um pequeno roteiro para o professor que modele uma rotina. Mas lembre-se: a comunicação não se aprende sob pressão. Em vez de forçar a criança a usar o cartão, é mais eficaz criar uma oportunidade e esperar (por exemplo, manter o objeto que ela gosta visível mas inacessível e esperar que ela inicie a comunicação); Essas estratégias são planejadas em conjunto com o especialista.
Erros comuns
- Usar o esboço geral sem individualizá-lo. Cada material de AAC deve ser adaptado ao nível de linguagem, ao interesse e à situação real da criança.
- Ignorando a aprovação de especialistas. A escolha do método e do símbolo é determinada pelo fonoaudiólogo/especialista.
- Começando com muitos símbolos. Começar com poucas palavras essenciais, mas funcionais, torna o aprendizado mais fácil.
- Usando linguagem abstrata. Numa história social, conceitos abstratos e frases longas perdem a mensagem.
- Inconsistência. Mostrar o mesmo conceito com símbolos/posições diferentes cria confusão.
- Pensar que a AAC impede a fala. Pelo contrário, apoia; Não evite material por falsa preocupação.
Em resumo
A AAC abre portas para a comunicação além da fala: o cartão, o símbolo, o quadro, a história social. A IA produz rapidamente rascunhos desses materiais; Propõe um conjunto básico de palavras, escreve histórias sociais e textos de rotina em linguagem simples e produz conteúdo para júris de seleção. Porém, cada material deve ser adaptado individualmente à criança, iniciado com poucos símbolos funcionais, a consistência deve ser mantida e deve ser aprovado por fonoaudiólogo/especialista. O rascunho é o começo; A comunicação é específica para a criança.
Tarefa de aplicativo
Para um aluno com comunicação verbal limitada, escolha um propósito de comunicação (por exemplo, “fazer uma solicitação”). Com o “Power Prompt” nesta unidade, peça à IA um conjunto básico de palavras ou um rascunho de uma história social. Adaptar o resultado ao nível de linguagem, interesse e situação real da criança; Altere pelo menos dois símbolos/frases e faça anotações para revisar o material com um especialista.
lista de verificação
- [ ] Esclareci o propósito da comunicação (pedido/rejeição/escolha/emoção).
- [] Comecei com poucas palavras essenciais, mas funcionais.
- [ ] O texto da história/rotina social é curto, positivo e concreto.
- [] Usei símbolo/localização consistente para o mesmo conceito.
- [ ] Adaptei o material ao interesse e situação real da criança.
- [ ] Tomei nota para aprovação de fonoaudióloga/especialista.